Dei por mim.
Naquela noite quente.
Deitada naquela cama.
Abraçada à almofada (como sempre).
A olhar o tecto.
A ver os pontos de luz que saiam pela janela,
meio aberta, meio fechada.
A pensar, se não já a sonhar, sobre a vida.
A pensar em momentos.
Coisas que me deixaram feliz.
Coisas que me deixaram a chorar.
Coisas...
Diversas coisas.
A pensar em pessoas e em alguns sítios por onde já passei.
Resumindo, a pensar em recordações.
Peguei no telemóvel, fui à galeria.
Comecei pelas primeiras fotografias, pessoas que hoje quase não tenho contacto.
Com quem vivi grandes momentos, marcantes.
Acabei nas fotos actuais, com as pessoas com quem mais me dou.
As pessoas dos grandes momentos, as pessoas que deixam saudades.
As que me fazem feliz, as que me desiludem diariamente, mas enfim,
as pessoas que eu escolhi para conviver no meu dia-à-dia.
Pensei...
Ninguém é perfeito, todos erramos, todos podemos perdoar, todos magoamos alguém,
todos temos bons e maus momentos, que temos que ser fortes perante os problemas.
Passado um bocadinho, sem dar conta, uma lágrima escorregou.
Escorregou, sem eu conseguir conte-la.
Passou pela minha face.
Completamente desamparada caiu na minha almofada.
Pensei, eu sou forte e não vou chorar agora.
Vou guardar mais uma vez esta raiva, esta angustia.
Eu sou forte.
Não sou de ferro, mas sou forte.
Caiu mas levanto-me sempre.
Mas desta vez nem me vou dar ao trabalho de cair.
Para que cair, vou ter o dobro do trabalho?
Cair e levantar.
Vou apenas viver, viver o pouco de vida boa que me resta.
Viver o pouco de liberdade que ainda tenho.
Viver.
Apenas viver.
Ser feliz já não me importa.
Só me importa viver.
Digamos antes...
Sobreviver.

Sem comentários:
Enviar um comentário